inspiração do dia

Postado por: Antonio

Becos= pessoas + arte

Amo arte de rua. Sim às vezes elas sujam e degradam. Mas uma iniciativa em Melborne, na Austrália, me fez pensar que talvez pensamos que sujam e degradam porque normalmente só as vemos como poluição. Em Melborne, movimentos inspirados pela arte de rua do Reino Unido se  tornaram populares em torno do ano 2000. Stencils, posters e outras formas de expressão se somaram às paredes sem vida de becos, estações de trem e aonde mais fosse possível criá-las.  Logo, galerias, poder público e privado começaram a olhar com outros olhos para a ‘poluição’. Embora o debate a respeito do que é arte ou não ainda exista, o valor desses trabalhos nos espaços públicos como promotor de cultura, na percepção de lugar e identidade é claro.  Os esquecidos becos, sem vida, renascem , ao democratizar arte e atrair pessoas. Cafés, lojas, restaurantes e músicos também foram atraídos para os becos e contribuem para que Melbourne seja hoje reconhecida por esses espaços, talvez muito mais, do que porque qualquer outra grande obra. É reconhecida porque pessoas, arte e cultura estão tomando conta do espaço público, o mantendo vivo. Vamos viver mais nas ruas!!!!?

Laneways= people+art

I love street art. Sometimes they dirty and degrade the city. But an initiative in Melbourn, Autralia, made me think perhaps we consider they dirty and degrade because we only understand them as pollution. In Melbourn, the inspiration came from UK around the year 2000. Stencils, posters and other kinds of expression were summed to graffiti on the lifeless walls of the laneways, train stations and where else more it could be created. Soon, galleries, public and private parties changed the way they looked to that ‘pollution’. Even though there is still a debate regarding whether it is art, the city of Melbourn recognizes these works in the public domain has the capacity to create an unique sense of culture, place and identity. The forgotten laneways, lifeless, came to life once they democratize art and attract people. Cafes, shops, restaurants and musicians were also attracted to the laneways and contribute to the international recognition of Melbourn because of these areas, probably rather than any other remarkable building. The city is recognized because people, art and culture are taking care of the public space, keeping it live. So, lets live more on the streets!!!?

 

Concurso: Paço Municipal de Várzea Paulista

Concurso para a Prefeitura de Várzea Paulista, projeto idealizado em parceria com os incríveis Diego Almeida e Paula Bianchi, ano 2012.

 

Arquitetura é cidade, é idade, sociedade. Mais do que volume, fachadas, cortes, tecnologia, ou mesmo espaço é componente ativo, participativo.

Cidade é arquitetura em movimento, lugar onde move-se o vento, bem lento, ao som da música do cotidiano carregado de muitas batalhas e algumas conquistas.

Construir cidade, uma cidade que seja crível converte-se cada vez mais em algo difícil. Às vezes a que se percorrer um longo caminho, quase jornada. E no meio desse percurso, dessa (ou de qualquer outra) cidade, descobre-se a chave de um mundo complexo. Descobre-se a fascinação e o encantamento da mistura de ciências, humanidades e religião, escultura e pintura, bênçãos e crendices, beleza e feiúra. Descobre-se que o que parecia feio num primeiro olhar tem uma beleza pura. Pura e simples beleza. Descobre-se também a beleza de querer fazer uma cidade.

Nossa cidade projetada aqui nasce como símbolo de um território maior, nasce como ágora, como espaço da formação de assembléias e celebração da justiça. Nasce com uma linha costurando comércio e teatro, compra e troca, passando por uma praça, uma arena por entre lâminas com luz, ora agindo como lamparina, guia e farol de respostas, ora como berço iluminado de questionamentos e possibilidades. Uma linha costurada, sem fim nem começo, pelas ações do homem no seu dia a dia, nos seus afazeres e nas suas vontades e necessidades. Do comércio nasce a passarela que adentra no poder e percorre até a entrada do teatro que receberá, em sua empena, um telão com as ações de uma prefeitura que nasce para se abrir.

Nossa cidade cria espaço para ação e reação. Tem o dever de ser urbana, assim como o dicionário mesmo nos diz: relativa à cidade, própria da cidade, figura cortes, polida. E deve ser afável, não ter porta, nem muro, nem entrada, nem grandes e imponentes fachadas. Deve ser símbolo mas não deve ser elemento fechado em si mesmo. Deve (e tem) precisas aberturas em suas lâminas capazes de transformar a visão da cidade a partir dela. E quando o lugar é o fundamento, e de fato no projeto ele é, a arquitetura torna-se transformação do que está dado. A partir disto toda a articulação de uma convocatória à cidadania se dá por uma praça e uma rua, um ponto e uma reta, um espaço de permanência e outro de circulação. Livre, leve e simples assim.

E seu grande articulador espacial realmente é a reta. Local genuinamente público. Local do caminho, da procissão, do sacrifício mas também da transformação e das trocas humanas. Local público, convidativo, desafiador, organizacional, conceitual. Afinal é na fixação de um conceito que por magia (do deus-público, talvez) a cidade se torna mais plástica, a memória assume o comando e o espaço deixa de existir. Para cada vez mais permitir. Permitir mudanças em vidas feitas pela cultura. Nada mais cultural, simbólico e eloquente do que uma cidade e suas praças e ruas. E nada mais perene do que a imagem construída do silêncio de uma rua, morada do coletivo, como aceitação e integração do destino de uma cidade.

 

“é estranho que de um discurso deva resultar o silêncio, no sentido de serenidade e disponibilidade – mas é assim.” Álvaro Siza.

 

Postado por: Antonio

Lygia e você

Lygia e você

Sabia de Lygia, mas nunca tinha brincado com ela. A arte subjetiva e organica proposta pela artista envolve e faz com que o visitante faça parte da obra. Obras tocáveis, no sentido mais tátil possivel e tocáveis quando falamos de sentimentos. Sentir e interpretar com a pele, os ouvidos, o olhar. Brincamos com os bichos, vestimos máscaras e roupas estranhas, encontramos beleza num saco plástico inflado com o nosso ar e que interage com uma pedra qualquer de um rio qualquer. E isso é Lygia, que se faz perto de você e te convida o tempo todo a fazer arte com ela. Que ve arte em simples coisas que acha alí, no dia a dia de todos.

Lygia and you

I knew about Lygia, but I had never played with her. The subjective and organic art proposed by the artist makes the visitors part of her work. Her work is touchable, in the most tactile sense, while touch us when it comes to feelings. To fell and to interpret using our skin, ears, eyes. We play with ‘bichos’, wear weird masks and clothes. Then we find beauty on a simple plastic bag inflated with our air which interact with some stone from any river. And this is Lygia, who is close to you, who invites you to make art with her. Who sees art on simple things she finds on people’s routine.

             

Diquinha : “Carta de Lygia Clark para Hélio Oiticica” – http://gaarq.blogspot.com.br/2012/08/carta-de-lygia-clark.html

Lygia Clark: uma retrospectiva – observe, interaja, participe da arte

Itau Cultural- Av. Paulista, 149

sábado 1 de setembro, a partir das 16h, a domingo 11 de novembro

terça a sexta 9h às 20h
sábado domingo feriado 11h às 20h

Postado por: Taícia

 

inspiração do dia

Postado por: Antonio

Ilustrações de Iñaki Aliste Lizarralde

Sempre adorei as ilustrações de plantas baixas feitas à mão e coloridas, mas confesso que não tenho talento nenhum para desenha-las.

O artista espanhol Iñaki Aliste Lizarralde, recriou os apartamentos de vários personagens velhos conhecidos nossos em ilustrações pra lá de detalhadas.

Qual é a sua favorita?

 

As imagens estão disponíveis para compra no Pinterest do artista.

Postado por: Tatiana

Hoje fui à feira

Hoje fui à feira. Sempre adorei ir à feira. Lembro quando pequena ia com minha avó e saía com o carrinho carregado. Até calcinha minha avó me comprava na feira. Adorava todo mundo gritando, sorrindo, oferencendo todas as frutas para que eu provasse, adorava a pexinxa e a chepa no finzinho do dia. E depois de carregar meu carrinho amava parar no final da feira, sentar na sargeta e me acabar de comer pastel e tomar um caldo de cana gigante com muito gelo e limão. Cresci. Voltava das noites de carnaval e lá estava eu na feira, curando a bebedeira e indo dormir feliz. Fiquei dois anos fora, aproveitando as feiras do mundo. Sem o pastel e o caldo de cana, mas com todo o resto acontecendo da mesma forma. Amava. Voltei!

Hoje fui à feira. E não encontrei a feira. Alí estavam apenas quatro barraquinhas, uma de frutas, uma de verduras, uma de peixe e uma de pastel. Deviam ocupar não mais que 30 m emparelhadas em um só lado da rua. Ninguém gritava. Uns poucos ainda sorriam. Não tinha pexinxa nem caldo de cana. Comprei um brócoli e um pastel. Carreguei o brócoli com facilidade e levei o pastel pra comer em casa. Fiquei triste. Triste de saber que mais uma vez deixamos o espaço público para nos fechar em super casas, condominios e malls. Percebi que desde que cheguei  (há menos de uma semana) já fui três vezes ao shopping. E eu odeio shopping malls. Aliás, achei a feira ‘sobrevivente’ no caminho para o shopping de frutas. Quero voltar para as ruas. Pexinxar e rir com os feirantes. Encontrar os vizinhos, carregar o meu carrinho até que as rodas entortem de tanto peso e no fim, quero simplesmente sentar na sargeta e me acabar de comer pastel e tomar caldo de cana gigante com muito gelo e limão.

 

Today I went to the open market. I have ever loved to go there. I remember when my grandmother used to bring me to the open market. Then we used to fill her cart with tones of products. Even underwear she used to buy to me. I loved everybody shouting, smiling, offering me the fruits to try, loved to ask for discounts and the cheaper princes in the end of the day. After filling the cart until the top I loved to seat on the sidewalk enjoying a pastel (typical fried food from Brazil) and to drink sugar cane’s juice with lots of ice and lemon. I grew up. Then early in the morning, on my way back from the carnival nights, I used to stop by the open market to recover from the drinks by eating pastel and drinking sugar cane’s juice. I have spent two years abroad, enjoying the open markets in other places in Europe. Without the pastel or the sugar cane, but still with happy shouting people and all the fun one can get in the open market. I loved it all. Now I am back in Brazil.

Today I went to the open market. But I did not find an open market. Instead, I found only four tends, one selling fruits, another with the vegetables, the third selling fish and the last selling pastel. They might were occupying no more than 30m side by side along the street. None was shouting. Few were smiling. There was no negotiation or sugar cane juice. I bought a broccoli and a pastel. I carried the broccoli easily on a bag and brought the pastel to be eaten at home. I felt sad. Sad because I noticed one more time people left the public space to lock their selves in super houses, condominiums and malls. I realized that since I arrived here (less than one week ago) I have been already three times on a shopping mall. And I hate shopping malls. Actually I found the ‘survivor’ open market on the way to the fruit’s mall. I want to come back to the streets, to meet the neighbors, to fill my cart with so many items that it becomes impossible to carry. And in the end, I simply want to seat on the side walk, with my pastel and a huge sugar cane juice with lots of ice and lemon.

 

 

Postado por: Taícia

desenho: voa amor

Desenho em papel canson, aquarela e canela preta.

Postado por: Antonio

De Shakespeare à ‘paisagem de emoções’

Em seu novo trabalho, Rootless Forest (floresta sem raízes), Beth Derbyshire se inspirou em Shakespeare e nos refugiados afegãos assentados no Reino Unido. Inspirada pela floresta em movimento (moving forest), descrita por Shakespeare em Macabeth, árvores foram plantadas na carcaça de um barco e representam o espaço transicional entre passado e futuro. A artista propicia uma “paisagem de emoções” aonde os visitantes podem ouvir relatos gravados por pessoas e comunidades vindas de áreas de conflito. O movimento poético da’ paisagem de emoções’ seguirá pelos canais de Birminghan e Walsall assim como os refugiados um dia viajaram à busca de um “novo lar”. A floresta sem raíz então, finalmente encontrará sua nova casa. As árvores serão plantadas e desenvolverão suas raízes no solo escolhido celebrando a evolução das comunidades afetadas por conflitos. Simplesmente lindo!
From Shakespeare to the emotional landscape
On her new work, Rootless Forest, Beth Derbyshire was inspired by Shakespeare as well by the afghan communities settled in UK. Inspired by the moving forest, described by Shakespeare in Macabeth, an old boat was planted with trees and represents a transitional space moving between past and future. The artist provides people with an emotional landscape where people experiences, recorded from communities affected by conflicts, can be heard. The poetic movement of the moving rootless landscape will follow the canals of Birminghan and Walsall as well as refugees once traveled looking for a ‘new home country’. The rootless forest will then, finally find a new home. They will be planted and raised permeating their roots in the chosen soil while celebrate the evolving communities affected by conflicts. Simply beautiful!
Onde:
beth derbyshire: the rootless forest
the new art gallery walsall canal basin
september 20th through october 7th
open daily 10am- 5pm
Postado por: Taícia

Exposição: Le Corbusier, América do Sul 1929

Os desenhos de Le Corbusier voltaram para o Brasil. Ele, o arquiteto, veio a São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Montevidéu em 1929 para pensar em cidades. E acho que não somente nessas mas em todas as cidades. Vendo-as de cima pela primeira vez, Corbusier se distanciou da Europa, das pessoas, da terra e de tudo para pensar como ninguém havia pensado antes. E levitou para desenhar enormes poesias a bordo de papel e carvão. Pensava metros acima da gente e vendo-os ao vivo hoje pela primeira vez vejo que continua pensando com uma distância que nunca ninguém alcançará.

 

Vale cada segundo, cada desenho, cada olhar. Mesmo olhando ainda de baixo.

Exposição: Le Corbusier, América do Sul 1929. Centro Universitário Maria Antonia, até 21 de outubro, de terça a sexta das 10 às 21 e sábado e domigo das 10 às 18.

 

Postado por: Antonio